Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Diário de uma musicista desastrada - parte 3


jul/06
Querido diário,
hoje, definitivamente, foi o último dia em que eu uso salto para tocar guitarra. O que tem a ver uma coisa com a outra? Muito simples: para tocar rock dos anos 80 na guitarra, necessariamente, temos vários pedais para acionar e modificar o som de acordo com a música. Hoje, na hora de pisar em um deles, perdi o equilíbrio, caí em cima do meu violão (que estava apoiado em um suporte ao lado) em pleno show. Quase quebrei o pescoço, mas, felizmente, só tirei uma lasquinha do violão. Milagre!


ago/06

O baterista da banda brigou hoje comigo só porque eu derrubei os microfones da bateria enquanto estava pulando no palco! Poxa, gente, eu lá tenho culpa que o palco era um tapumezinho mixuruca? Como vou cantar rock 'n' roll sem pular? Ah! Me poupe!

Tá bom, assumo que foi um mico ridículo e que me senti um hipopótamo na casa de louças... mas fazer o quê?


I like to move it, move it!

Li na expressão do técnico de som todos os palavrões em que ele pensou quando viu os pedestais desabando. Mas, quando verificou que todos os seus microfones estavam sãos e salvos, colocou tudo no lugar sem maiores auês. Ufa!

Jabás & hot news - por Vânia Valerie

Alô, doçuras!

Tia volta cheia de saudade, mas com pouco tempo. Então, vamos aos jabás e às hot news:

Blog do Barzinho leva Giovana Vincenzi a integrar o elenco do curta metragem Mezzaluna



Rodrigo Yoshizumi, do Espaço em Branco, diretor de fotografia e roteirsta da Malagueta Produções, veio tomar uma breja aqui e achou a Gi cantando no My Space. Viu que ela também é atriz, convidou pro teste e ela passou!

Ora, ora, ora! O Barzinho se metendo na sétima arte! Aliás, creio eu que muitos posts aqui dariam um belo filme! Quem se habilita?


Estás a fim de gravar suas músicas? Precisas de jingles, trilhas, spots? Queres fazer uma espera telefônica decente para o cliente que te liga não ouvir aquele silêncio maldito do outro lado da linha? Então, que esperas tu? Liga para a Is Us e fale com o Roger Menn ou com a Gi: (11) 2807-0245 ou (11) 2509-9638.

Lady Gaga veste máscara na coletiva de imprensa

A quem vai essa homenagem, gata? Marilyn Monroe? Michael Jackson? Ninja Gaiden? Sub Zero? Gripe Suína?

Em tempo... e o kiko?

Crianças e crianços, tia está perdendo a batalha contra Morfeu. Vou, mas volto.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Paráfrase

Diz a amiga Wiki sobre um mito americano:

"A morte, causada por colapso fulminante associado à disfunção cardíaca, surpreendeu o mundo provocando comoção como poucas vezes fora vista em nossa cultura; inclusive no Brasil. Os fãs se aglomeraram em maior número em frente a mansão."




Querem mais uma dica sobre de quem se trata? Vamos lá: é sobre um cara que nasceu pobre, e, depois de muito ralar, ficou conhecido como "O Rei" em seu segmento. Estabeleceu recordes de vendagens de álbuns.




Ficou fácil, né? Ou ainda não? Ok, mais umas dicas:


Em seu trabalho musical, uniu o melhor das música negra e branca - um grande feito num país tão racista quanto os "isteitis".


Sua forma de dançar potencializou sua revolução musical, com movimentos que ninguém antes havia realizado em um palco.

Sim, estamos falando dele mesmo:



Os tempos seguem e parafraseiam-se...

Voltando pra ficar

Porque aqui, aqui é meu lugar!

Fiquei emocionada com tantos comentários, com tanta gente escrevendo, tanta gente ainda se interessando por essas humildes linhas de uma musicista que, aos poucos, tenta se reestruturar nos bares da vida.

Talvez mais por necessidade do que por saudade, mas, de qualquer forma, tentando se reerguer de uma maneira verdadeira, fugindo do desânimo, tentando não perder a concentração em cima do palco, aconteça o que acontecer.




Pelo menos na blogosfera, espero parar com esse “efeito ioiô” que me atormenta minha existência de tempos em tempos em vários aspectos. Espero ainda ter coisas interessantes a dizer pra vocês aqui no blog e, principalmente, no palco, que é onde nascem todas as histórias – ou, no mínimo, a razão de cada ensaio, de cada encontro, de cada etapa da preparação que rende um post curioso, um "causo" engraçado... enfim, a origem de tudo que a gente escreve aqui!

Então, volta tudo como era antes: guardanapos da semana, tia Vânia Valerie (pronuncia-se "valerrí") gongando os micos da MPB, aventuras e desventuras dessa vida de musicista!

Vamos ao momento Maguila:



Eu quero agradecer a todos que me apoiaram nessa luta: Augusto (que acolheu Vânia Valerie under his umbrella-ela-ela-ê-ê), Killiano e Natália, Ed, Jota, Ana, Rafael, Anselmo, Aline, Bárbara, Ingrid, André, Sandro, Leila, Alex, Rubens, Eduardo, Lô, Rodrigo, e todos, todos vocês que com seu carinho, sua torcida, sua parceria, sua leitura, sua presença, formaram essa vibe do bem pro Barzinho voltar!

Sejam todos bem-vindos pela milésima vez!

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Just to say goodbye

Vocês merecem uma satisfação de por que o blog foi abandonado.

A explicação é muito simples: não faz sentido ter um blog sobre a carreira de musicista quando essa carreira praticamente não existe mais.

Eu cansei.

Cansei da instabilidade, da falta de compromisso, da falta de profissionalismo, da falta de responsabilidade, da falta de perspectiva.

Cansei de cachês ridículos, cansei de bares que te tratam feito lixo em todos os sentidos (equipamentos, consumação, relacionamentos em geral), cansei de um público, via de regra, sem um pingo de senso crítico e/ou de educação e/ou interesse.

Cansei de procurar nuances de interpretação, estudar técincas mil e saber que, provavelmente, todos vão estar mais preocupados em beber, fumar, paquerar e comer do que ver que você está abrindo o coração em cima do palco. Cansei de saber que tenho que tocar sempre as mesmas músicas para agradar.

Dessa forma, minha carreira está, de fato, praticamente adormecida. Quando pinta um evento muito bom, ou mesmo um barzinho no qual valha a pena investir, vamos lá. Caso alguém se interesse em ouvir minhas composições, estarão disponíveis. Mas o sonho, em si, já era.

Agradeço DEMAIS a todos vocês que, de alguma forma, acompanharam o blog por todo esse tempo. Fiz amigos, conheci gente maravilhosa através desse site. O arquivo vai ficar por aqui, pra quem quiser fuçar.

Se, um dia, a carreira for retomada, venho correndo de volta contar pra vocês, combinado?

Muito obrigada a todos vocês, uma vez mais!

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Mais frases esdrúxulas

Após um longo e tenebroso inverno, eis que volta tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") com uma coleção fresquinha de frases cretinas do nosso amado cancioneiro tupiniquim!

A primeira é uma excelente sugestão dada pela Luíza no comentário do último post:


E subo bem alto pra gritar que é amor / Eu vou de escada pra elevar a dor"
Elevador - Ana Carolina




Vejam só que bacana: indo de escada você trabalha os músculos da perna, dos glúteos, aumenta sua frequência cardio-respiratória e ganha inspiração para fazer um dos refrões mais grudentos (e imbecis) da moderna música brasileira! Sacou o trocadilho "elevar a dor/ elevador"? Hein? Hein? Hein?


"Vem me fazer feliz porque eu te amo/ Você deságua em mim e eu oceano"
Djavan


E aí gato? Me mostra seu delta que eu te mostro meu estuário, topas? Tô numas de ver a sua foz, que tal?


"Quase nunca a vida é um balão"
Lulu Santos


Definitivamente, eu começo a achar que Lulu é esquisofrênico! Como pode alguém escrever essa estrofe linda:
"Hoje eu não consigo mais me lembrar/ De quantas janelas me atirei/ E quanto rastro de incompreensão/ Eu já deixei /Tantos bons quanto maus motivos/ Tantas vezes desilusão"

... e terminar falando de um maldito balão???????????


Que cazzo o balão tem a ver com a história? Teria nosso querido letrista traumas quanto às festas juninas? Sonharia ele com a volta ao mundo em 80 dias? Gostaria que a vida fosse como nas músicas de Simony, Jairzinho, Toby e cia?



E o que dizer da clássica do Kid Abelha:

"Fazer amor de madrugada/ Amor com jeito de virada"
Kid Abelha - Pintura íntima

A frase é tão absurda que chega a ser engraçada. É tão ruim e tão nonsense que até o Leoni, pai da criança, sente vergonha de tê-la feito!

Calma, não se deseseperem! Eu sei que vocês estão com saudades do nosso "muso"! Para fechar com chave de ouro, senhoras e senhores, ele!


"Repique tocou, o surdo escutou/ E o meu corasamborim"
Tribalistas - Carnavália



Muito me surpreendeu o fato do repique ter "tocado" e não "repicado"! E, vejam vocês, que lindo milagre de Carnaval: "O SURDO ESCUTOU"! Provavelmente, restaurou as batidas no tímpano! Rá! Sacaram? Surdo, percussão, tímpano? Hein? Hein?

Próximos milagres programados na orquestra de Brown: o crescimento do baixo e o ligamento das trompas.

PS: Preciso mencionar o "Corasamborim"? Não, né?

Para não cansar a beleza, tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") vai aos braços de Morfeu.

Até a próxima, crianças!

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Frases esdrúxulas da MPB - 3º round

Eis que tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e joga na rede mais frases espetacularmente imbecis do nosso querido repertório do Barzinho.

Permaneçam com medo.


"Não vi mais a gata mas tenho minha gaita pra me consolar"
Natiruts - Andei só



Reza a lenda que, dentre as opções constavam as frases: "Não fiz mais a falta mas tenho minha flauta pra me consolar", "Não tenho mais pano mas tenho o piano pra me consolar" e "Não fiz gambiarra mas tenho a guitarra pra me consolar". Tsc tsc...

"Eu vou viver dez/ Eu vou viver cem/ Eu vou viver mil/ Eu vou viver sem você"
Caetano Veloso - Não enche


Deus salve os múltimos de dez! Viva a poesia exponencial! E detalhe para o cem/sem! Sacou? Hein? Hein? Hein? E, na mesma música:


"Sanguessuga que só sabe sugar"
Caetano Veloso - Não enche
E que cazzo Caetano espera que uma sanguessuga saiba fazer? Extrair a raiz quadrada de pi? Dançar hula-hula? Girar a antena pra ver se a imagem melhora? Perguntar se o sabiá sabia assobiar?


"Somos do interior do milho"
Paralamas do Sucesso - Uma brasileira
Composta por Carlinhos Brown




Olha ele aí de novo! Não sei como pude me esquecer de citar essa pérola in-crí-vel! O que será que nosso amigo quis mistificar dessa vez? Estaria Brown escrevendo a biografia dos Sucrilhos? Seria um documentário sobre a vida de uma pipoca? Um estudo sobre as angiospermas?




Quem dá mais?


Agora vamos à uma análise complexa a respeito de Lulu Santos e sua Tudo Azul. A coisa começa basicamente com uma festa hippie-tropical:

"Tudo azul/ Todo mundo nu/ No Brasil/ Sol de norte a sul/ Tudo bem/ Tudo zen"


foto: Spencer Tunick

Meio besta, mas tudo bem... passa. Aí vem uma estrofe linda (principalmente a última frase) e você pensa que nem tudo está perdido:


"Meu bem/ Tudo sem/ Força e direção/ Nós somos muitos/ Não somos fracos/ Somos sozinhos nesta multidão/ Nós somos só um coração/ Sangrando pelo sonho de viver"




Uau! A sequência disso, teoricamente, é algo lindo!


Teoricamente, porque, do nada absoluto, a maionese desanda, o trem descarrilha, a batata assa, a chapa esquenta e a casa cai:

"Eu nunca fui o rei do baião/ Não sei fazer chover no sertão/ Sou flagelado da paixão/ Retirante do amor/ Desempregado do coração"



Crianças, por favor, respondam para a tia:

1- O que é que "todo mundo nu" tem a ver com o baião?

2- O que é que o "sol de norte a sul" tem a ver com estar "desempregado" do coração?

3- Como pode estar tudo zen se o coração está sangrando pelo desejo de viver e, ainda por cima, desempregado? Aliás, será que o coração desempregado poderia ir ao Poupatempo e dirigir-se a um dos postos de atendimento ao trabalhador?

4- O que o fato de não saber fazer chover no sertão tem a ver o resto da música?

5- Desde quando alguém confunde Lulu Santos com Luiz Gonzaga a ponto de precisar dizer que não é o rei do baião?

caricatura Lulu: Gabriel Correa. A do Gonzagão não tem créditos


Alguém arrisca?


Antes que dê grilo na cuca, tia Vânia se vai, mas volta em breve.



PS: Gostou das análises? Tem mais "pérolas da MPB" aqui, aqui, aqui e aqui!